domingo, 1 de junho de 2014

Fila

Na fila.
Em forma, na linha, enfileirada para uma mostra de arte, dessas que chegam na capital por pouco tempo
Imperdível.
Gratuita.
Muita gente e uma atrás da outra.
Estou sozinha, na ponta do zigzag interminável.
Me lembro de uma serpente que se enrosca no cinza da cidade e não se move.
Faço parte desta espera.
Olho em torno para passar o tempo.
Um pastor prega a palavra do Evangelho.
Rouco de tanto gritar para atrair o público.
Em vão.
Movimenta-se, gesticula sem sucesso.
Os únicos que o percebem estão rindo, zombando.
E o pastor continua pregando no vazio.
Na minha frente uma família.
Mãe e filha roqueiras.
Percings, tatoos e roupas pretas.
Pai e filho de jeans e camisa.
A fila se move.
A mãe e o pai falam mal de um parente.
O pai quer comer um abacaxi de um ambulante.
Ao lado…vejo cinco rapazes fazendo o intervalo do almoço.
Olham as bundas das garotas que passam.
Comentam, dão risadas.
A fila se move.
Tem rico, tem pobre, tem chique, tem cafona.
Todos tem o mesmo objetivo: ver a mostra, ver arte.
O pai atende o celular que toca.
Discute em voz alta.
Toda a fila escuta.
Ele berra, conta coisas pessoais, da vida, do trabalho.
Não gosto, não me interessa.
Não tenho paciência.
Olho para o lado e me distraio.
Vendo lixo no chão.
Papéis, garrafas PET, sacos e sacolas.
Pessoas sem educação comem e bebem.
Jogam no chão e emporcalham a cidade.
Algumas pessoas sentam no chão.
Sujo.
Homem vende água, ganha o dobro.
Somos enganados, mas aceitamos, não podemos sair da fila.
Os dois filhos sentam no chão.
Sujo.
Os dois são gordos.
Os dois estão cansados.
Cheiro de cigarro no ar.
Detesto.
Ao lado a fila dobrada.
Duas mulheres discutem.
O que fazer da vida.
Carreira, estágio, incertezas.
Fala muito, a voz rouca mostra que a garganta está cansada.
Se queixa do ar seco.
Um pouco à frente um casal de namorados.
Ele a fotografa.
Ela faz pose.
Apaixonado, ele escolhe o melhor ângulo.
Ela ri.
Ele guarda o momento no celular.
Na outra parte da fila a moça fala que mora em uma república.
Os pais aprovaram a decisão de vir para a capital.
Moça do interior.
Desenhista, desenha e conversa.
Conversa e desenha.
Desenha e sorri.
Concluo que desenhar traz felicidade.
Enquanto isso, outro homem fala com um cliente.
Pede desconto.
Consegue.
Não consegue andar, a fila.
A moça pergunta para o segurança qual o horário mais tranquilo.
Ele se acha muito importante.
Responde com um ar distante.
O pai desliga o celular.
Abraça o filho.
A moça para de desenhar e me vê escrevendo.
Deve pensar que escrever traz felicidade.
A fila anda finalmente...


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Meu pai

Este homem grande, de sorriso largo (parecia ter 100 dentes na boca), piadista, era meu pai.
Ele chegou neste mundo para nos alegrar e enfeitar a vida de graça e otimismo.
Não era perfeito, fumava muito.
Mas qualidades eram muitas e estas ficaram enraizadas em nós três, eu o Marcelo Duarte e o Giuliano Duarte.
Era feliz, com o pouco que tinha.
Era jovial e crianção, sempre dizia que nunca deveríamos deixar de ter o coração de criança.
Era bom pai, daqueles de brincar e rolar no chão.
Nunca nos deixou sem o mínimo necessário: comida, roupa e muito amor.
Era bravo, só seu tamanho impunha respeito.

Era corinthiano e adorava ver os jogos do seu time favorito.
Apesar de todo esse tamanho e cara de bravo, era um doce homem, que chorava e se emocionava como criança.
Adorava praia.
Era um grande e bom avô.
Tem 14 anos que ele resolveu partir.
Foi alegrar a turma do andar de cima, deve fazer a alegria de seus irmãos e amigos que como ele deixaram saudades.
Aqui fica minha homenagem, pai.
Você faz muita falta, mas é porque você só fez bem para todos nós.
Amamos você, pela eternidade.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

O que aconteceu comigo…e nunca mais serei a mesma!

Quando soube que estava grávida, minha vida virou de ponta cabeça.

Não era só eu.

Éramos nós.

Ser mãe mudou meus conceitos, meus pensamentos, minhas responsabilidades.

Olhar a Caroline e o Ivan bebês em meu colo, me deu outra dimensão do que era ser importante neste 

mundo.

Eu não era nada.

Eles eram meu tudo.

Não tinha mais noites tranquilas.

Não tinha mais um apartamento arrumado.

Cadeiras de tecidos imaculadamente brancas e limpas.

Não tinha mais uma pequena farmácia com poucos remédios.

Não tinha mais férias, livros, bordados…

Não saia mais, sem hora para voltar.

Não tinha roupas impecáveis e sem amassados.

Mas existiam duas vidas que me completavam, que bagunçavam nosso apartamento, que me 

preocupavam durante as noites mal dormidas com febre ou dor de garganta.

Essas duas pessoas que hoje estão ao meu lado, cresceram rápido demais!

Tudo o que fiz, tudo…eu faria novamente, repetiria mil vezes se fosse preciso.

Eu errei em muitas coisas e acertei em outras, não há um guia para educar.

Hoje eu os vejo e me orgulho de ser a mãe deles enquanto viver e além desta vida.

Participando e incentivando para que eles sejam honestos, íntegros, bons.

Mesmo que o mundo pareça cruel, existirão sempre boas pessoas.

Sempre filhos bons, sempre mães lutadoras.

E agradeço à Deus todos os dias, pois este foi o maior presente que 

Ele me deu: SER MÃE.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Moreno Poema

Moreno anjo
Dos olhos risonhos
Brincando em meus sonhos

E sorrindo a me provocar

Sou uma moça faceira?
Ou uma mulher arteira?

Sei o que oferece para me atiçar!

Estou sonhando acordada?
Não! Pois sinto tua mão carinhosa,

Me segurar

Ah! Moreno menino!


Você é maroto!
Você é gostoso!

Que lindo!
Que moço!



Não me deixe acordar!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um tesouro.

Mesmo oferecendo todo o dinheiro do mundo.

Mesmo oferecendo as mais belas e preciosas jóias.

As mais belas viagens aos lugares mais exóticos do planeta.

Mesmo oferecendo as melhores roupas, sapatos.

Mesmo oferecendo as mais lindas moradias.

De nada adiantará tudo ter ou oferecer.

Se você ama uma pessoa, nada terá mais valor.

Felizes são aqueles que vivem este raro sentimento com alguém, pois estes são realmente ricos e abençoados.